A Recauchutagem

A RECAUCHUTAGEM

A Recauchutagem de pneus é hoje reconhecida como uma actividade fundamental para o equilíbrio social e económico global. Porquê?

Porque poupa recursos já escassos, permite reduzir grandes custos no dia a dia de cada um de nós, actua na protecção do ambiente comum, cria condições de segurança para todos. Poupando no dia a dia, protegendo o ambiente, garantindo a nossa segurança e a dos nossos filhos...

A recauchutagem de pneus é o processo que permite, através da aplicação de um novo piso, prolongar a utilização de uma carcaça por uma ou mais vidas úteis. Para além de reduzir substancialmente a quantidade de pneus que todos os anos integram o fluxo de resíduos, esta operação de reutilização contribui para a preservação dos recursos naturais, poupando quase dois terços das matérias-primas e a energia indispensáveis para a produção de um pneu novo.

O pneu recauchutado é comprovadamente seguro. Trata-se de um produto de tecnologias cada vez mais desenvolvidas e especializadas, cujo fabrico é homologado segundo regulamentos ECE/ONU. Cada pneu recauchutado, no âmbito dos actuais processos de homologação do sector, é submetido exactamente aos mesmos ensaios de resistência a carga/velocidade que um pneu novo, garantindo deste modo a sua fiabilidade e segurança para o utilizador.

Os mais diversos testes, quer em usos comerciais, quer no campo competitivo e desportivo, demonstram que o rendimento quilométrico de um pneu recauchutado se assemelha ao de um pneu novo. Com a vantagem acrescida de o seu custo ser inferior em cerca de 50%!

A recauchutagem de pneus é um processo através do qual ocorre o recondicionamento de um pneu usado, por aplicação de um novo piso, ou novo piso e novas paredes laterais, com o objectivo de prolongar a vida útil do mesmo.

Os novos materiais a aplicar para substituição do piso gasto podem ser, por exemplo:

  • piso perfilado
  • tira orbital
  • extrusão directa
  • pré-vulcanizado

O PROCESSO DE RECAUCHUTAGEM ENVOLVE DIVERSAS FASES QUE, GENERICAMENTE, SE APRESENTAM DE SEGUIDA:

Inspecção Inicial

Nesta operação faz-se a triagem das carcaças passíveis de serem recauchutadas, eliminando-se as que apresentam defeitos, danos irreparáveis ou idade excessiva. Os critérios de inspecção das carcaças são estabelecidos em função dos requisitos regulamentares vigentes. A operação de inspecção inicial visual (cuidadosa inspecção do interior e exterior da carcaça) é complementada com a utilização de equipamentos que auxiliam a detecção dos defeitos, como sendo a inspecção sob pressão (que denuncia deformações estruturais da carcaça), a inspecção por shearografia (que facilita a detecção de separações internas da carcaça) e a inspecção por impulsos eléctricos (com fim à detecção de furos).

Grosagem

Na operação de grosagem, o material remanescente da carcaça é removido com o objectivo de preparar a superfície que receberá o novo material. Nesta operação são também definidos os parâmetros geométricos da carcaça (diâmetro, raios de curvatura, largura de coroa), assegurando-se o cumprimento dos requisitos dimensionais estabelecidos nas normas e regulamentos de referência. Ainda nesta operação é controlada a integridade estrutural de carcaça quando insuflada e também a textura da superfície grosada.

Inspecção em curso de fabrico e Reparações

Nesta fase do processo de recauchutagem é levada a cabo uma inspecção cuidada das superfícies interna e externa da carcaça. Na sequência desta inspecção pode ser denunciada a necessidade de remover pequenos danos ao nível da coroa e parede lateral da carcaça. Caso seja determinada a necessidade de efectuar reparações, a carcaça é submetida a operações onde são eliminados os componentes deteriorados da carcaça e aplicados novos materiais.

Encolagem e Secagem

A superfície da carcaça grosada é então preparada para receber o novo material, através da aplicação de uma solução de cola cuja finalidade é, não só promover a adesão entre materiais, mas também proteger as superfícies da oxidação. Esta solução de cola é aplicada por pulverização por forma a garantir a sua adequada dispersão.

Aplicação de piso (borracha extrudida ou piso pré-vulcanizado)

Aplicação de piso (borracha extrudida ou piso pré-vulcanizado) Os novos materiais (nova borracha) a aplicar sobre a carcaça para substituição do piso gasto podem ser, por exemplo, piso perfilado, extrudido directamente ou não (porção de material extrudido aplicada sobre a carcaça para obtenção do perfil desejado); tira orbital (tira de material extrudido directamente sobre a carcaça e aplicada por enrolamento até obtenção do perfil desejado) ou piso pré-vulcanizado (piso previamente moldado e vulcanizado). A base do piso pré-vulcanizado é preparada com materiais ligantes que funcionam como camada adesiva, promovendo a união do piso pré-vulcanizado à carcaça. Tratando-se de uma operação crítica, com extrema influência no comportamento e desempenho do pneu recauchutado, deverão ser cuidados aspectos relacionados com a aplicação do novo material, como por exemplo a centragem e união do piso.

Aplicação de parede lateral / Acabamento lateral

Quando se trata de um sistema de recauchutagem “Talão-Talão”, as paredes laterais da carcaça são totalmente revestidas, por aplicação de um composto de borracha adequado, com elevada resistência a agentes oxidantes, permitindo também a moldação das inscrições desejadas.

Vulcanização (molde ou autoclave) e Inspecção a quente

A vulcanização é a operação através da qual as propriedades físicas dos novos materiais aplicados são modificadas. Os compostos de borracha aplicados em estado plástico são submetidos, durante um certo período de tempo, a condições específicas de pressão e temperatura, assumindo assim o seu estado elástico. A parametrização desta operação depende das propriedades reométricas dos compostos de borracha aplicados. A vulcanização pode ocorrer em moldes (para vulcanização de pneus com borracha extrudida) ou em autoclaves (para vulcanização de pneus com piso pré-vulcanizado). Imediatamente após a vulcanização, enquanto quente, o pneu é submetido a um novo processo de inspecção para se assegurar que este não apresenta qualquer defeito, quer interna, quer externamente.

Acabamento e Inspecção final

Nesta operação faz-se o acabamento do pneu (remoção de filamentos e rebarbas de borracha e pintura, se aplicável) e procede-se ao último passo de inspecção do pneu antes da sua liberação. Esta etapa de inspecção tem por base os requisitos normativos e regulamentares aplicáveis. A operação pode incluir a tecnologia já descrita na operação de inspecção inicial..

A Nortenha tem dois laboratórios de apoio à actividade fabril, que possibilitam o controlo da qualidade das matérias-primas a utilizar no processo de recauchutagem e dos pneus produzidos:

Matérias Primas

Neste laboratório efectuam-se essencialmente ensaios de controlo da  qualidade de compostos de borracha. Dentro destes destacam-se ensaios reométricos, viscosidade Mooney, tracção, resistência à abrasão, dureza e resiliência.

Laboratório de Ensaio de Pneus

Este laboratório permite a realização de ensaios de carga/velocidade a pneus recauchutados ligeiros, comerciais e pesados (até uma velocidade máxima de 250 km/h e 6 ton de carga), de acordo com os Regulamentos ECE/ONU n.ºs 108 e 109. Neste laboratório são também realizados testes de equilibragem.

Os regulamentos aplicáveis ao sector, relativos à homologação do fabrico de pneus recauchutados, são:

  • Reg. ECE/ONU N.º 108 – Pneus ligeiros
  • Reg. ECE/ONU N.º 109 – Pneus comerciais e pesados

Para poder exercer a sua actividade, qualquer empresa de recauchutagem tem de obter uma licença por parte da autoridade competente, o actual IMTT em Portugal (ex-DGV), em conformidade com o disposto nos regulamentos acima mencionados, assegurando que a recauchutagem dos pneus cumpre os requisitos aí estabelecidos.

Os requisitos dos Regulamentos ECE/ONU N.º 108 e 109 abrangem diversos aspectos, entre os quais:

  • sistema de controlo da qualidade adequado a garantir que as técnicas de recauchutagem utilizadas respondem às disposições regulamentares;
  • inscrições nos pneus recauchutados;
  • técnicas de recauchutagem e métodos de aplicação dos novos materiais;
  • especificações de limites de desgaste e de danos na carcaça;
  • especificações de construção e reparação do pneu recauchutado;
  • operações de verificação e inspecção dentro do processo de fabrico;
  • ensaios de resistência carga/velocidade, exactamente iguais aos realizados no âmbito da homologação de pneus novos, acreditados no âmbito da SPQ.

O cumprimento dos requisitos regulamentares de homologação das unidades de recauchutagem é o garante da qualidade e fiabilidade do pneu recauchutado!
No início do ano 2004, a Recauchutagem Nortenha obteve a homologação da sua unidade fabril, tendo-lhe sido atribuídos os números 108R020004 e 109R020005.

Consultar o Certificado Homologação 108R02004

Consultar o Certificado Homologação 109R02005

O AMBIENTE

Providenciar soluções integradas aos utilizadores de pneus.


A recauchutagem de pneus contribui para a preservação de recursos naturais já escassos, permitindo poupar quase dois terços das matérias primas e energia indispensáveis para a produção de um pneu novo.


A recauchutagem de pneus promove a redução do volume de resíduo pneu. Ao prolongar a utilização de uma carcaça por uma ou mais vidas úteis, permite reduzir a quantidade de pneus usados que todos os anos integram o fluxo de resíduos. O Decreto-Lei 111/2001 de 6 de Abril veio “…estabelecer uma hierarquia na gestão dos pneus usados, conferindo prioridade à prevenção da produção destes resíduos, seguindo-se por ordem de preferência a reciclagem e outras formas de valorização…”. “Uma das medidas preconizadas neste diploma corresponde à necessidade da implementação de circuitos de recolha de pneus usados, para assegurar uma correcta triagem dos pneus passíveis de recauchutagem e encaminhamento dos restantes para reciclagem e outras formas de valorização”.